No interior do Estado a cena da dança é incessante. Paracuru,
Tabuleiro do Norte, Juazeiro do Norte e Itapipoca são cidades referência
numa produção contemporânea em dança que não se acanha com a distância
de outros centros, muito menos com os olhos cerrados do poder público.
Em
reconhecimento ao trabalho que o professor, bailarino e coreógrafo
Alysson Amâncio desenvolve na região do Cariri, toda a arte gráfica
desta Bienal faz referência ao trabalho Cajuína, que Alysson apresentou
aqui em Fortaleza semana passada.
Após passar por Fortaleza,
Paracuru e Sobral, a IX Bienal Internacional de Dança do Ceará viaja
agora em direção a mais cinco cidades interioranas. Até o dia 6 de
novembro, elas recebem cursos e apresentações de espetáculo através do
projeto CirculaDança.
Em suas primeiras edições, a Bienal
acontecia exclusivamente em Fortaleza, e os grupos e artistas do
Interior só tinham acesso à agenda formativa através dos cursos de curta
duração que aconteciam por aqui. Hoje é possível dizer que o caminho
percorrido pela Bienal até o Interior do Estado é fruto de uma atuação
militante destes artistas.
Em Itapipoca, foi a partir das
inquietações do coreógrafo, bailarino e pesquisador Gerson Moreno, e de
sua Cia Balé Baião, que as ações começaram a ser direcionadas para o
município do Norte cearense.
“Desde o primeiro
momento, não ficávamos em Itapipoca aguardando que alguém chegasse para
nos oferecer algo. Aprendemos que era preciso correr atrás de formação,
cavar oportunidades, forjar contatos. Creio que nossas constantes idas
(por conta própria, sem apoio do município local) à Bienal em Fortaleza,
entre a década de noventa e início dos anos 2000, sinalizaram pros
organizadores que existia algo no interior do estado precisando ser
incluído nessa ação”, avalia Gerson.
Ano que vem
a Cia Balé Baião completa 20 anos de estrada. E eles já comemoram como o
único grupo de dança cearense selecionado para o consagrado Festival
Panorama 2013, que acontece até o dia 10 de novembro no Rio de Janeiro.
Lá,
eles apresentam o trabalho Lamentos e gozos da Imperatriz de Itapipoca,
criado em 2010, a partir de proposições dos coreógrafos e pesquisadores
Marcelo Evelin, Andrea Bardawil e Lia Rodrigues.
“Estar na
programação oficial do panorama 2013 é celebrar essa trajetória, de
teimosia e luta constante para fazer acontecer dança contemporânea no
interior brasileiro! Não esperávamos o convite. De alguma maneira
estávamos perseguindo essa oportunidade no nosso fazer diário, e agora
ela chegou. Penso que mais cedo ou mais tarde os teimosos serão
recompensados”.
SERVIÇO
9ª Bienal Internacional de Dança do Ceará
Quando:
em Juazeiro do Norte (30/10 a 01/11), Crato (31/10 a 02/11), Itapipoca
(até 03/11), Tabuleiro do Norte (01 e 02/11) e Juá/Irauçuba (04 a
06/11).
Entrada gratuita.